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abr 2021

Carta Mensal Hashdex - Março 2021

escrito por Hashdex Research
abr 05, 2021

Carta Mensal Hashdex - Março 2021

Caro investidor,

A Carta Mensal da Hashdex desse mês traz como principais notícias:

  • NFTs: o que são, sua história e porque importam
  • Grandes bancos avançam na adoção de criptoativos
  • Visa, PayPal e Tesla têm novidades em pagamentos com criptoativos

 

Boa leitura!

 

FUNDOS DE INVESTIMENTOS HASHDEX

Confira a performance dos fundos da Hashdex 

 

 

PERFORMANCE DO NCI (USD) YTD 111,7%

 

PERFORMANCE DO NCI (USD) em março 33.5%

 

 

MARÇO: NOVOS RECORDES NO MERCADO DE CRIPTOATIVOS

 

Após a correção do final de fevereiro, os preços dos criptoativos retomaram, em março, a trajetória de alta característica dos últimos meses. O NCI chegou a registrar uma valorização de mais de 35%, saindo de 2298 pontos, no fechamento de fevereiro, para atingir a máxima de 3143 pontos no dia 13, mesma data na qual o Bitcoin superou a barreira dos 60 mil dólares.  A despeito das boas notícias, nos 12 dias seguintes, observou-se uma lenta porém consistente queda no NCI, que chegou a cerca de 15%. Nos últimos seis dias, no entanto, houve uma rápida reversão de boa parte da queda e, com isso, o NCI fechou o mês em alta de 33,5%. Bitcoin e Ethereum, dois ativos de maior participação no índice, foram os destaques, com rendimentos de 33,8% e 36,1%, respectivamente. Na ponta oposta, tivemos o Stellar Lumens, ativo com menor peso, que operou próximo à estabilidade. No ano, o NCI acumula alta de 111,7%.

 

Os fundos locais foram ajudados por uma pequena desvalorização do Real frente ao Dólar em março. Os fundos Hashdex 20, 40 e 100 NCI renderam, respectivamente, 5,1%, 10,3% e 25,6%. O Hashdex Bitcoin Full 100 FIC FIM, que completa seis meses, fechou o mês com rendimento de 25,8% e, desde sua criação, acumula alta de 394,2%.

 

 

NOTÍCIAS RELEVANTES:

 

GRANDES BANCOS AVANÇAM NA ADOÇÃO DE CRIPTOATIVOS

 

Março foi profícuo em casos de progresso de grandes bancos internacionais na adoção de criptoativos. No final de fevereiro, o JPMorgan Chase já havia recomendado a adição de até 1% de Bitcoin nos portfólios para melhorar o retorno ajustado pelo risco.

 

No mês passado, o banco submeteu à SEC a documentação para o lançamento de um produto estruturado, análogo aos COEs negociados aqui no Brasil, cuja rentabilidade está atrelada a uma cesta de ações com exposição a criptoativos. Entre as ações que compõem essa cesta estão MicroStrategy, Square e Tesla, que utilizam Bitcoin em suas estratégias de tesouraria, NVIDIA, que produz um hardware utilizado na mineração de cripto, ICE e CME, bolsas com derivativos de criptoativos, PayPal, que oferece negociação e custódia de Bitcoin e outros três ativos digitais para seus clientes, entre outras.

 

O Morgan Stanley, por sua vez, através de sua divisão de wealth management, emitiu um relatório no qual subscreve a tese de que os criptoativos constituem uma classe de ativos e que têm lugar em portfólios diversificados entre classes. Um memorando, que veio a público em meados de março, porém, mostrou que a instituição está em vias de dar acesso a quatro fundos de criptoativos para seus clientes de alto patrimônio. Será o primeiro dos grandes bancos americanos a abrir tal possibilidade.

 

O Citi foi outro grande banco a lançar um relatório sobre Bitcoin e criptoativos. Esse documento, com mais de uma centena páginas, foi, provavelmente, o mais completo sobre o tema já publicado por uma instituição financeira de primeira linha. Os assuntos abordados incluíram as narrativas e casos de uso do Bitcoin com prognósticos, a adoção em diferentes regiões do mundo, a análise da infraestrutura atual do setor, regulação, a entrada de investidores institucionais, DeFi, stablecoins e altcoins. Apesar de descrever alguns desafios que ainda precisam ser superados, a visão geral do relatório é bastante favorável aos criptoativos. 

 

Saindo dos EUA em direção ao velho continente, tivemos movimentos relevantes por parte do Deutsche Bank. Um relatório divulgado pelo segmento responsável por análise de dados e pesquisa, no dia 20, afirmou que o Bitcoin se tornou grande demais para ser ignorado, após atingir o valor de mercado de um trilhão de dólares. Além disso, o banco firmou uma parceria com a IBM para suporte no seu projeto de oferecer custódia de criptoativos para seus clientes.

 

Essa profusão de notícias sobre grandes bancos das principais economias do mundo entrando com cada vez mais peso no mercado de criptoativos reforça as teses defendidas pela Hashdex sobre a importância de criptoativos nas carteiras de investimento.

 

 

VISA, PAYPAL, E TESLA TÊM NOVIDADES EM PAGAMENTOS COM CRIPTOATIVOS

 

Três notícias relevantes sobre pagamentos com criptoativos vieram a público ao longo do mês de março. Logo no dia dois, houve o anúncio de que a PayPal comprou a Curv, empresa isaraelense com soluções inovadores em custódia de criptoativos. Ainda não estão claros quais são os planos da PayPal, mas não restam dúvidas de que se trata de um engajamento maior com o segmento de cripto.

 

No dia 19, foi a vez da Visa anunciar que integrará Bitcoin e outros criptoativos à sua rede de pagamentos. Dez dias mais tarde, a gigante dos pagamentos digitais revelou, ainda, a realização de uma transação teste com um USDC (stablecoin lastreada em dólares) enviada diretamente para seu endereço de custódia na Anchorage. Isso abre caminho para transações diretas com criptoativos sem a necessidade de conversão para moeda fiduciária.

 

Já a Tesla Motors seguiu os planos revelados no mês passado em documentos enviados à SEC e abriu a possibilidade de pagamento em bitcoins para seus clientes. Segundos as primeiras informações, é necessário que a transação seja concluída em 30 minutos e pairam dúvidas sobre o tratamento tributário aplicável a tais operações.

 

Essas notícias indicam a tendência de uma presença cada vez maior dos criptoativos na vida cotidiana das pessoas. Isso é um passo fundamental para a tecnologia deixar de ser uma promessa e se tornar uma realidade.

 

 

TEMA DO MÊS:

 

NFTs: o que são, sua história e porque importam

 

No início do mês de março, o artista Mike Winkelmann, também conhecido como Beeple, vendeu uma obra de arte na tradicional casa de leilões Christie's por incríveis US$ 69,3 milhões. A transação quebrou marcas ao se tornar a terceira mais alta venda na história obtida por um artista ainda vivo. No entanto, mais do que o preço, é o tipo da obra que tem causado enorme alvoroço e debate. A arte de Beeple é uma imagem puramente digital. Seu certificado de autenticidade e de procedência é registrado em uma Blockchain como um nonfungible token (mais comumente conhecidos como NFTs). A venda da imagem "EVERYDAY: THE FIRST 5000 DAYS" chacoalhou o mundo da arte e trouxe para o centro do ecossistema dos criptoativos um tema pouco entendido, porém já bastante antigo.

 

 

A expressão "token não-fungível" (tradução para o português de nonfungible token) é um termo bem técnico que acabou se estabelecendo como uma importante área na grande experimentação com ativos digitais. Fungibilidade é a propriedade que um ativo ou objeto possui de ser perfeitamente intercambiável com outros ativos ou objetos.

 

Por exemplo, uma barra de ouro padrão pesando 400 onças troy é perfeitamente igual a uma segunda barra de ouro padrão (quando legítimas, claro). Para um detentor qualquer, tanto faz qual barra lhe pertence. Por ter esta propriedade, dizse que o ouro é fungível. O mesmo pode-se dizer de uma nota de R$ 100,00. Apesar de, em teoria, cada nota de dinheiro possuir um número de série único, fungibilidade acaba sendo uma propriedade essencialmente prática e o consenso na sociedade é de que o papel-moeda também é fungível.

 

Em contraste, diversos outros objetos, ativos ou bens não são fungíveis. Imóveis, terrenos, automóveis, itens colecionáveis e obras de arte são apenas alguns, considerando os exemplos mais óbvios. Dentre outras inovações, a tecnologia Blockchain acabou com a limitação de que, no mundo puramente digital, informação na forma de bits e bytes não poderia pertencer a alguém ou a alguma entidade. Como já se sabe bem, os primeiros casos de uso do blockchain são os de moedas digitais, das quais a mais famosa é o Bitcoin. Como bons ativos que se propõem a servir como meio de troca ou reserva de valor, o Bitcoin é essencialmente fungível. Como não há de se surpreender, contudo, blockchains também podem registrar a propriedade de ativos únicos, os chamados NFTs. Considerando que Blockchains funcionem a base de software, não é difícil imaginar que os softwares que rodam em blockchains suportam não só o registro histórico de propriedade e transações de ativos fungíveis, mas também o de ativos únicos. De fato, NFTs são um campo de exploração em cripto mais antigo até do que o próprio Bitcoin.

 

Ainda na década de 90, o hoje falecido criptógrafo Hal Finney (um dos "pais" do bitcoin), idealizou o conceito de "arte criptográfica" em uma de suas propostas para promover um futuro dinheiro digital. Bem no início do Bitcoin, alguns de seus embaixadores precoces, incluindo o jovem Vitalik Butterin, que depois viria a criar o Ethereum, construíram uma prova de conceito de NFTs que apelidaram de "Moedas Coloridas" (do inglês "Colored Coins"). As amarras do software do Bitcoin, que é intencionalmente limitado, a fim de priorizar a segurança do mesmo, não permitiram muita inovação no campo dos NFTs. No entanto, com o lançamento do Ethereum, uma rede blockchain de funcionalidade completa no que diz respeito à programabilidade, a experimentação com NFTs ganhou outro ritmo. 

 

Um marco importantíssimo na história dos NFTs foi o lançamento, no Ethereum, do padrão ERC-721, uma atualização que fez com que a rede passasse a permitir o registro de tokens customizados únicos (i.e. os não fungíveis). Utilizando o ERC-721, qualquer desenvolvedor passou a poder criar NFTs no Ethereum. As barreiras para a criatividade e para experimentação no campo da propriedade digital foram derrubadas.

 

O grupo que construiu o ERC-721 foi o mesmo que lançou um dos primeiros e mais famosos casos de uso de NFTs: o jogo CryptoKitties. Ao ser lançado em 2017, o jogo bateu todas as marcas de transações na rede Ethereum, congestionando a mesma por dias. O jogo era, principalmente, uma prova de conceito que o grupo de desenvolvedores criou para demonstrar as funcionalidades do novo padrão.

 

No CryptoKitties, cada gatinho virtual criado é um trecho de código único, com sua própria "história familiar" e seu próprio "código genético". Os jogadores e proprietários de cada gatinho podem comprar e vender livremente seus animais digitais. Ainda mais importante para a prova de conceito, todo o código utilizado no jogo (que define as suas regras , o "código genético" dos gatinhos, e os algoritmos de "reprodução") também está gravados no blockchain do Ethereum. Com isso, ninguém pode mudar o jogo. Nem mesmo seus criadores. Nas palavras de Rohan Gharegozlou, um dos líderes do grupo, o jogo configura a verdadeira experiência de uma propriedade digital, na qual proprietários possuem não somente seus ativos, mas também a experiência de como eles serão usados. Esse é um conceito poderoso no tema dos NFTs.

 

Voltando aos dias de hoje, a venda de um NFT por U$ 69,3 milhões precipitou (ou coincidiu com) outro período de enorme experimentação no campo de ativos não fungíveis em Blockchain. O CEO e fundador do Twitter, Jack Dorsey, leiloou um NFT de seu primeiro tweet por U$ 2.5 milhões. O New York Times vendeu o NFT de um de seus editoriais por U$ 560 mil. Esses acontecimentos confundem a maioria do público, mas devem ser enxergados simplesmente como parte da grande experimentação ao redor dos NFTs. A experimentação em NFTs está avançando cada vez mais com organizações mais bem estabelecidas.

 

Recentemente, a famosa liga de basquete americano NBA lançou o NBA Topshot. No aplicativo, fãs do basquete podem comprar NFTs colecionáveis com vídeos curtos de momentos históricos da liga. O NBA Topshot é, atualmente, a mais popular dentre as plataformas de NFTs, já tendo vendido bilhões de dólares em colecionáveis digitais de basquete. O aplicativo foi construído em parceria com a Dapper Labs, uma startup do mesmo grupo que criou o CryptoKitties e que tem sido uma das líderes desbravando este campo dos NFTs.

 

Também recentemente a banda americana de rock Kings of Leon anunciou que seu próximo álbum será lançado como um NFT e incluirá benefícios especiais aos detentores, tais como lugares privilegiados em concertos (lugares estes que os detentores poderão negociar). Os experimentos, provas de conceito e iniciativas são inúmeros e ainda incipientes, mas já apontam para as oportunidades de criação de valor que esses ativos únicos registrados em blockchains criarão.

 

É bem verdade que NFTs podem representar a propriedade de qualquer tipo de ativo, incluindo ativos físicos, tais como imóveis e roupas. Embora haja bastante promessa nos registros de ativos físicos em blockchains, que poderiam ser entendidos como "cartórios completamente digitais e descentralizados", é no campo dos ativos puramente digitais que a experimentação atual está acelerando e é nesses ativos que as inovações têm maior potencial de impacto. Os NFTs proveem aos seus usuários uma grande vantagem das redes blockchain: a programabilidade com contratos inteligentes (smart contracts).

 

Uma reflexão criativa sobre artefatos que podem ser representados digitalmente e que podem se tornar propriedade por meio de NFTs leva qualquer um a concluir que as possibilidades são inúmeras. Os mais óbvios são imagens (tais quais a obra do artista Beeple), músicas e vídeos. No entanto, as possibilidades vão bem além, quando se pensa na combinação deles e em casos de uso específicos. Artefatos utilizados em jogos são uma vertente enorme em NFTs. GIFs, memes e outras manifestações culturais são outros. Obras de arte audiovisuais (com som, fotografias e/ou vídeos), conteúdos especializados diversos tais como designs, artigos acadêmicos, colunas e whitepapers, contratos legais, relatórios de research … é difícil sonhar com todas as possibilidades.

 

Nos últimos anos, produtos e empresas magníficas têm sido construídos ao redor da chamada "economia dos criadores" (do termo em inglês, creator economy). Plataformas como Patreon (para grupos de membros), Substack (para listas de emails) e Twitch (para streamings ao vivo), são somente alguns dos exemplos. Os indícios são que os NFTs funcionando em cima de blockchains programáveis serão a próxima iteração desta economia dos criadores, com vantagens significativas. Criptoativos e especialmente os NFTs podem acelerar significativamente a tendência de criadores monetizando diretamente com seus fãs.

 

Cripto e NFTs tem o potencial de eliminar camadas e mais camadas de intermediários "rentistas" das muitas transações que já ocorrem com mídias digitais. Com isso, criadores capturarão mais do valor que geram. Além disso, a programabilidade inerente das plataformas que registram os NFTs dará aos criadores muito mais flexibilidade na forma de monetização dos ativos que criam. Por exemplo, um artista digital pode criar uma obra com um contrato inteligente que o remunera toda vez que a obra for vendida, garantindo ao mesmo os frutos de uma eventual apreciação futura daquilo que construiu.

 

NFTs ainda estão arranhando a superfície do que é possível e certamente evoluirão muito. A utilidade desses ativos aumentará à medida que produtos e serviços sejam construídos ao redor deles (plataformas como a OpenSea já permitem a negociação de diversos NFTs de artes, jogos digitais, esportes entre outros). NFTs já são um dos principais temas no ecossistema de ativos digitais há anos e ao que tudo indica, assim como outros temas atuais de cripto que ganham bastante atenção presentemente (DeFi e o próprio Bitcoin em si), esses tokens não fungíveis serão um dos motores que levarão as tecnologias de registro distribuído ao mainstream.

 

 

DESTAQUES HASHDEX

 

Vídeo "Por que investir em cripto via fundos?"

 

Assista ao vídeo da Hashdex e entenda as vantagens de se investir em criptoativos através de fundos de investimento.

 

 

Hashdex alcança a marca de 70.000 cotistas e R$2BI sob gestão.

 

A marca de 70.000 cotistas foi alcançada no dia 25/03/2021, 13 dias após alcançarmos 60.000 investidores Hashdex. Agradecemos a confiança e a parceria de todos os nossos investidores.