03 de novembro de 2020
Carta Mensal Hashdex - Outubro 2020

FUNDOS DE INVESTIMENTOS HASHDEX

 

Confira a performance dos fundos da Hashdex e seus materiais de divulgação.

PERFORMANCE DO HDAI (USD) YTD 86,1% 

 

PERFORMANCE DO HDAI EM OUTUBRO 17,8%

VOLATILIDADE DO HDAI % AO ANO | VOL corrente 38,3% | VOL corrente 57,5%

OUTUBRO: BITCOIN PASSA A OPERAR ACIMA DOS U$13.000,00

 

Após uma forte queda no início de setembro, o mercado de cripto passou o resto do mês em relativa estabilidade, com o Bitcoin entre os 10 mil e 11 mil dólares, e assim permaneceu durante os primeiros dias de outubro. A partir do dia 8, iniciado com o anúncio de que a Square havia investido em Bitcoin, houve um impulso de alta, que levou o ativo a operar por volta dos 11,5 mil dólares. 

O principal movimento, porém, veio no dia 21, com a notícia de que o PayPal começaria  a oferecer serviços de criptoativos, com o Bitcoin passando a operar acima dos 13 mil dólares e suportando esse patamar até o fim do mês. No fechamento de outubro, o Bitcoin registrava alta de 23,9%, contra 17,8% do HDAI. Com isso, o resultado do índice no ano ficou praticamente igual ao do seu principal constituinte, próximo dos 86%.

Os demais constituintes do HDAI não foram tão bem quanto o Bitcoin. A segunda e a terceira melhores performances foram as do Litecoin e do Bitcoin Cash, respectivamente, que também serão suportados pelo PayPal. No total, dez dos dezoito ativos apresentaram perdas, sendo o pior deles o OMG Network que, apesar da queda de mais de 30%, ainda acumula alta de 360% no ano.

Além da valorização dos criptoativos, os fundos locais beneficiaram-se da valorização do dólar frente ao real. Com isso, Discovery, Explorer e Voyager tiveram altas de 3,5%, 7,5% e 19,4%.

 

PAYPAL ANUNCIA SERVIÇOS DE CRIPTOATIVOS 

No dia 21 de outubro, a gigante dos pagamentos digitais PayPal anunciou, através de uma postagem em seu blog oficial, que passará a prestar serviços relacionados a criptoativos para seus clientes, permitindo que eles comprem, custodiem e vendam os ativos digitais diretamente nos seu aplicativos, além de poderem usá-los para pagamento de compras.

Essa foi uma grande notícia para a comunidade de criptoativos. Além de representar a chancela de uma grande empresa, avaliada no mercado em mais de 200 bilhões de dólares, o anúncio significa que os 346 milhões de usuários do sistema terão uma facilidade sem precedentes para acessarem o mercado de criptoativos, além de poderem usar esses ativos em compras nos 26 milhões de estabelecimentos que operam com o PayPal ao redor do mundo. Apenas como referência, o Bitcoin, maior rede de criptoativos, tem algo como 55 milhões de carteiras ativas, o que é uma aproximação do número total de usuários.

 

Inicialmente, os usuários do PayPal dos Estados Unidos poderão negociar Bitcoin, Ethereum, Bitcoin Cash e Litecoin, mas não terão acesso às chaves privadas dos mesmos, que ficarão sob custódia da empresa. Além disso, nesse primeiro momento, os usuários não poderão enviar seus criptoativos, nem para outros usuários da plataforma, nem para endereços externos, além de não poderem, também,  remeter criptoativos adquiridos fora para suas contas no PayPal.

 

A importância da notícia também pode ser mensurada pelo forte impacto que ela teve nos preços dos criptoativos. Novamente usando o Bitcoin como referência, cujo preço passou o mês de setembro praticamente inteiro oscilando entre 10 mil e 11 mil dólares, atingiu os 13 mil dólares já no dia do anúncio e sustentou-se acima desse valor.

 

Alguns outros detalhes relacionados ao tema também vieram a público. Um deles é a obtenção da chamada BitLicence condicional pela parceria entre a PayPal e a Paxos Trust Company. Essa licença emitida pelo órgão regulador do Estado de Nova Iorque permite o acesso dos usuários ao mercado de criptoativos. Além disso, informações extra-oficiais dão conta de que a PayPal está negociando aquisições de empresas do ecossistema de cripto, notadamente a custodiante BitGo, que custodia parte dos ativos sob gestão da Hashdex.

 

A inovação apontada pelo anúncio da PayPal vai além do âmbito dos criptoativos e, de certa forma, redefine os limites entre investimentos e moeda. Isso porque os usuários poderiam usar seus criptoativos (de investimento) diretamente para compras, função típica de moeda.

 

Somando-se todos esses elementos, é possível ter uma dimensão do quão relevante é a entrada da PayPal em cripto e o que isso pode representar em termos de adoção principalmente. De certa forma, essa notícia coroa um ano em que, apesar das adversidades (ou por causa deles), houve grandes avanços para os criptoativos.

 

NOVAS EMPRESAS LISTADAS ADEREM AO BITCOIN EM SUAS TESOURARIAS

Poucos meses após a Microstrategy anunciar o investimento de 250 milhões de dólares em Bitcoin como parte de suas estratégias de tesouraria, duas outras empresas, também negociadas em grandes bolsas de valores, seguiram o mesmo caminho.

 

A primeira delas foi a Square, uma companhia de pagamentos digitais, concorrente do PayPal, listada na bolsa de Nova Iorque. A empresa adquiriu 50 milhões de dólares em Bitcoin, o equivalente a 1% do seu ativo total. No anúncio, foi ressaltada a visão de que o Bitcoin pode se tornar mais onipresente como moeda no futuro. O CEO da empresa, Jack Dorsey, que também é CEO do Twitter, usou sua conta no microblog para apontar o Bitcoin como alternativa contra o que chamou de “sistema financeiro não verificável e excludente”. No dia do anúncio, 8 de outubro, o Bitcoin teve alta de cerca de  2,5%.

 

Treze dias depois, do outro lado do Oceano Atlântico, a Mode Global Holdings PLC, negociada na bolsa de Londres, divulgou ter investido cerca de 10% de seu caixa em Bitcoin. A tese está relacionada à uma visão de longo prazo favorável ao criptoativo combinado às baixas taxas de juros vigentes na Grã-Bretanha.

 

Em setembro, a Microstrategy havia anunciado uma compra adicional de 175 milhões de dólares em Bitcoin. Por mais que esteja longe de ser uma prática comum, é interessante ver como, por diferentes motivos, o Bitcoin está entrando na geração de valor das empresas e, consequentemente, na vida de seus acionistas.

 

TEMA DO MÊS:

ETHEREUM 2.0

 

Atualmente, o evento técnico mais aguardado no espaço de cripto é o início da atualização da rede Ethereum para a Ethereum 2.0 (abreviada por Eth2). De acordo com os desenvolvedores core do protocolo, o Eth2 levará a rede ao objetivo (nada modesto) de ter "escalabilidade e segurança que ela precisa para servir à toda a humanidade". O processo de atualização da rede será complexo e tem seu cronograma estimado em anos, mas é percebido pela maioria dos observadores de cripto como crucial para o sucesso da Ethereum. Progresso no curto e médio prazos são essenciais para a Ethereum, que é a rede blockchain de segundo maior valor de mercado, porque a competição séria de outras redes está se acirrando. Outros protocolos de smart contracts como Tezos, EOS, Cosmos e Polkadot, tem crescido em relevância e já oferecem aos desenvolvedores em blockchain plataformas de alta escalabilidade e, em alguns casos, com caminhos críveis para a descentralização (um problema conhecido destas alternativas). Diante deste cenário, os olhos estão voltados ao Eth2, atentos à capacidade da sua comunidade de desenvolvedores de,  finalmente, dar início ao processo de migração, após seguidos atrasos ao longo de 2020.

 

Mesmo antes de lançar o Ethereum, em Julho de 2015, seu prodígio idealizador, Vitalik Buterin, já antevia problemas de escalabilidade e altos custos nas nascentes redes de blockchain. Um ano antes do lançamento, Vitalik trabalhava em conceitos de algoritmos de consenso que não "queimassem poder computacional em cálculos inúteis para manter uma rede blockchain segura". A Ethereum foi lançada com tecnologias já estabelecidas na época - mais notavelmente, com um algoritmo de consenso proof-of-work (abreviado como PoW). No entanto, ainda ao redor do seu lançamento, a comunidade de desenvolvedores detalhou um plano de atualizações em grandes fases que, ao longo dos anos, levaria a rede a uma maturidade com alta escalabilidade e custos baixos, sem abrir mão de segurança e descentralização. O Eth2, originalmente conhecido como a etapa Serenity dentre os desenvolvedores do protocolo, é a última fase deste grande plano. Ela é,  também, a atualização que promete finalmente resolver as questões de escalabilidade e de custo de operação da rede. 

 

Atualmente, a Ethereum pode processar ~15 transações por segundo. Para fins de comparação, a processadora de pagamentos Visa processa ~1,500 transações por segundo. Apesar de a rede atual já servir para a concepção e testes de aplicativos distribuídos (abreviados como DApps, do inglês distributed applications), é um consenso na comunidade cripto que a rede não tolera aplicações de grande escala, que venham servir milhões ou mesmo bilhões de pessoas. De fato, a curta história do Ethereum já provou essa limitação em pelo menos duas ocasiões.

 

Nos últimos meses de 2017, o CryptoKitties, um DApp em forma de um inofensivo jogo em que usuários podiam criar e negociar gatinhos virtuais, congestionou o Ethereum completamente. Na ocasião, a taxa de transações na rede acabou atingindo seu máximo histórico, superando 1.2 milhões de transações por dia. Dezenas de milhares de transações acabaram não sendo processadas e usuários tiveram que esperar dias até que suas transações fossem confirmadas.

 

Mais recentemente, o enorme crescimento na popularidade dos DApps de finanças descentralizadas, tema que cobrimos em nossa carta de julho, causou novos problemas na Ethereum. Em agosto, o volume de transações revisitou os máximos atingidos no evento do CryptoKitties. Além disso, desta vez, os custos pagos por cada transação subiram vertiginosamente, à medida que usuários procurando os retornos resultantes do processo de yield farming aceitavam pagar muito por transações na rede, elevando o preço médio pago por transação para quase US$10, afetando todos e quaisquer DApps que estavam rodando na rede. Desde o seu pico em agosto, o preço médio por transação caiu para os arredores de US$ 1.40, permanecendo muito acima dos valores mais costumeiros, de poucos centavos de dólar por transação.

 

No que diz respeito ao custo de operar a rede do Ethereum e mantê-la segura, o protocolo atualmente está sujeito aos mesmos problemas conhecidos no Bitcoin. Em algoritmos de consenso do tipo PoW a segurança é mantida por meio do gasto de dinheiro em equipamentos e energia elétrica. Dito de outra forma, estes protocolos requerem que, para processar um grupo transações, um agente gaste recursos em poder computacional. Estas redes são desenhadas para recompensar estes agentes de forma que os frutos de se processar um conjunto de transações corretamente sejam sempre maiores que os lucros de se atacar a rede.

 

O mecanismo de incentivos do PoW é engenhoso, porém não é livre de defeitos. O mais óbvio é o desperdício de energia (e dinheiro) requerido para manter seus protocolos seguros. Em um nível mais profundo, há também grandes debates sobre se estes mecanismos não terminam por incentivar centralização em suas respectivas redes. O custo de se operar uma infraestrutura de mineração não é uniforme ao redor do globo. É razoável concluir que no equilíbrio, a mineração dos protocolos com mecanismo PoW tenderão a se concentrar em locais com custo de energia mais baixo. Ademais, o processamento de transações em protocolos PoW possui uma economia de escala significativa, dado que depende de altos investimentos fixos em hardware específico para o processamento de transações de cada protocolo. Sabidamente, economias de escala funcionam como uma grande barreira de entrada e também tenderão a concentrar as atividades de mineração em geral.

 

O Eth2 é uma iniciativa arrojada para resolver destes estes dois problemas - escalabilidade e custos de operação - na rede do Ethereum, sem sacrificar sua segurança. A solução nos planos da comunidade de desenvolvedores possui duas componentes principais: (i) a migração para um algoritmo de consenso proof-of-stake (abreviado por PoS) e (ii) a implementação de correntes fragmentadas (tradução livre do termo sharded chains).

 

A migração para um mecanismo de consenso PoS objetiva agir diretamente no problema do custo de operação da rede. Ao invés de utilizarem fatores externos, tais como poder computacional, para manter a rede segura, algoritmos PoS utilizam fatores internos, como os próprios tokens emitidos pela rede. Ao substituir gastos reais em poder computacional (hardware + energia) por um compromisso financeiro (e.g. ativos digitais da rede), redes PoS podem diminuir significativamente seu custo de operação sem comprometer a segurança da rede.

 

Apesar de sua grande promessa, redes PoS ainda são predominantemente experimentais. Desenhar algoritmos com o mecanismo de incentivo correto, minimizando perdas em segurança e descentralização, ainda é um grande desafio. Por estes motivos, o Ethereum foi lançado com o mesmo sistema PoW do Bitcoin em 2015 e, desde então, a comunidade se prepara para esta migração.

 

A implementação das sharded chains (ou correntes fragmentadas) agirá no problema da escalabilidade. Sharding já é um conceito bem estabelecido no campo de ciências de computação, e já é bastante utilizado nas tradicionais bases de dado SQL para aumentar desempenho. Na prática, as sharded chains da Ethereum funcionarão como blockchains paralelos dentro do protocolo, cada um dos quais processará independentemente transações da rede. Em sua implementação atual, cada nó da rede Ethereum precisa baixar, computar, armazenar e ler o histórico completo de transações da rede antes de processar um novo bloco de transações. No Eth2, os nós estarão divididos em subgrupos. Cada nó validador precisará baixar, computar, armazenar e ler as transações daquele subgrupo apenas. Além disso, os subgrupos poderão processar transações em paralelo. Os ganhos da paralelização e a diminuição do overhead de se processar um novo bloco de transações é o que vai aumentar significativamente a capacidade da Ethereum.

 

Caso a migração para um algoritmo de consenso PoS e a implementação das sharded chains descritas acima pareçam simples, a impressão está completamente errada. A analogia "é como trocar as asas do avião durante o vôo" se aplica muito bem neste desafio do Eth2. Apesar de incipiente, a Ethereum já está rodando plenamente. A rede possui uma demanda de mais de um milhão de transações por dia. O valor de mercado de seu token nativo, o Ether, se aproxima de US$ 43 bilhões de dólares. A Ethereum possui centenas de milhares de outros tokens desenvolvidos em cima da rede e dezenas de milhões de smart contracts em seu blockchain. A migração total será bem complexa e deverá durar anos.

 

A implementação do Eth2 está dividida em quatro fases:

Fase 0: A beacon chain (lançamento previsto para janeiro de 2021)

A beacon chain será uma rede única no protocolo e que coordenará a comunicação entre todas as sharded chains. Além disso, a beacon chain iniciará a migração para o PoS, pois ela armazenará informações dos nós validadores e coordenará os tokens Ether em staking (estar em staking significa estar comprometido no processo de validação).

 

Fase 1: As shard chains (lançamento previsto para 2021)

Nessa fase os subgrupos da rede começarão a ser construídos. Cada sharded chain será uma rede PoS e já terá seus blocos criados por nós validadores, e não mineradores como os de hoje. A expectativa é de que na fase 1 sejam lançados 64 shards (subgrupos), mas estes não suportarão smart contracts imediatamente.

 

Fase 1.5: Mainnet torna-se um shard (lançamento previsto para 2021)

Mainnet nada mais é do que a Ethereum utilizada hoje. Até o lançamento da fase 1.5 a rede permanecerá como um blockchain PoW com transações processadas por mineradores. Após o lançamento desta fase, a rede atual se tornará um subgrupo do Eth2 e migrará para o PoS. 

 

Fase 2: Shards completamente formados (lançamento previsto para após 2021)

Esta última fase ainda tem escopo bem incerto. Em um nível básico, os desenvolvedores planejam fazer cada shard como uma rede funcionando completamente (suportando, por exemplo, os smart contracts que a rede atual suporta). Fora isso, o próprio Vitalik já externou que pretende usar essa última fase para adicionar outros avanços que façam-se interessantes, ou necessários, incluindo tópicos avançados em criptografia, como ZK-STARKS, que fogem do escopo desta carta. E março último, Vitalik Buterin indicou que o processo completo de atualização para o Eth2 possa durar de 5 a 10 anos. Certamente, esta última fase é a parte mais incerta deste cronograma.

 

A atualização da blockchain de segundo maior valor de mercado para uma versão que finalmente cumpra a visão de Vitalik Buterin e de seus co-desenvolvedores, de criar um supercomputador descentralizado mundial com "escala para servir toda a humanidade", está prestes a se iniciar. A comunidade cripto e, cada vez mais, o resto do mundo, está antenada no desenrolar deste projeto pois, como não é de se surpreender, o sucesso do Eth2 em muito sinalizará a respeito não só do potencial do protocolo Ethereum como também, mais abrangentemente, o deste paradigma tecnológico promissor e desafiador que hoje chamamos de "Tecnologias de Registro Distribuído" (tradução livre do termo "Distributed Ledger Technologies").

 

DESTAQUES DA HASHDEX

  • Fundo 100% Bitcoin

No mês de outubro, lançamos o fundo Hashdex Full Bitcoin 100 FIC FIM IE. Destinado a investidores qualificados, o fundo investe próximo a totalidade do seu patrimônio em Bitcoin no no exterior, sem hedge cambial. O fundo está disponível no BTG Digital e em breve estará em outras plataformas.

 

O fundo de venture capital Atlantico disponibilizou um relatório destrinchando a revolução tecnológica que ocorreu na América Latina no ano de 2020. No relatório, a Hashdex é mencionada como referência no mundo de cripto, destacando o pioneirismo da fintech ao conseguir aprovação para o lançamento do primeiro ETF de cripto do mundo, o Hashdex Nasdaq Crypto Index ETF.

 

 

Coming up:

Exame Future of Money.

Nosso CEO, Marcelo Sampaio, estará no dia 12/11 falando sobre cripto no Future of Money, maior evento online sobre o futuro do dinheiro na América Latina, organizado pela Revista Exame, reunirá os maiores especialistas em torno de assuntos do momendo, para debater impactos destas mudanças na vida dos brasileiros.

HASHDEX TALKS COM THIAGO CANELLAS

No dia 05/11,  às 18:30, conversaremos com o Co-Fundador do EOS Rio e engenheiro com mestrado em finanças.