02 de junho de 2021
Carta Mensal Hashdex -Maio 2021

A Carta Mensal da Hashdex desse mês traz como principais notícias:

  • Tema do mês: Uniswap e Filecoin entram no NCI
  • Bitcoin: Elon Musk oscila de opinião e Ray Dalio revela ter alocação
  • Maio: forte queda nos preços dos criptoativos

 

Boa leitura!

FUNDOS DE INVESTIMENTOS HASHDEX

 

Confira a performance dos fundos da Hashdex

PERFORMANCE DO NCI (USD) YTD 60,3%

 

 

PERFORMANCE DO NCI EM ABRIL -28,5%

 

 

MAIO: FORTE QUEDA NOS PREÇOS DOS CRIPTOATIVOS

 

Após uma sequência de meses em alta, maio registrou a primeira queda mensal do NCI desde que o índice começou, em dezembro de 2020. O mês começou com o Bitcoin operando estável entre os 55 mil e os 60 mil dólares, com o NCI subindo, puxado, principalmente pelo Ethereum, que ultrapassou a marca dos 4 mil dólares. O índice chegou a passar dos 13% de valorização no mês. Os primeiros onze dias de maio não davam indícios da tempestade que viria a seguir.

No dia 12, um tweet de Elon Musk anunciando o recuo da Tesla em aceitar Bitcoins na compra de seus veículos (detalhes na próxima seção) iniciou um forte movimento de queda no mercado de criptoativos. Uma semana depois, quando tanto o Bitcoin quanto o NCI haviam perdido cerca de um terço do valor, um novo golpe levou a novas perdas. Dessa vez foram as ameaças de regulação do setor de pagamentos e bancário chinês e um possível banimento da mineração de cripto no país (detalhes na próxima seção). Esse segundo movimento levou o Bitcoin a ser negociado próximo dos 30 mil dólares.

Após uma pequena recuperação, os últimos dias do mês foram de relativa estabilidade. O Ethereum foi o único constituinte do índice que caiu menos que 20% no mês, com um recuo de 6,7%. O pior resultado foi do Bitcoin, com queda de 35,5%. O índice fechou o mês em queda de 28,5% e acumula alta de 60,3% em 2021.

É sempre válido lembrar que os criptoativos não possuem mecanismos de contenção em situações de pânico, como o circuit breaker das bolsas de ações. Além disso, por ser um mercado pouco regulado, muitas exchanges oferecem produtos com alta alavancagem e execução automática das garantias depositadas em margem. Isso faz com que um primeiro movimento de queda dispare a venda dessas posições em margem, o que causa uma nova queda e inicia uma reação em cadeia. Em maio, alguns desses movimentos levaram à liquidação de bilhões de dólares em poucos minutos, o que é nocivo em qualquer mercado. Por fim, no caso particular do que vivemos no último mês, havia um grande contingente de investidores com grandes lucros acumulados nos últimos meses aguardando o momento para realizá-los. As notícias, por mais que não sejam negligenciáveis, não justificam uma retração dos preços da magnitude observada.

 

 

NOTÍCIAS RELEVANTES: 

 

 BITCOIN: ELON MUSK OSCILA DE OPINIÃO E RAY DALIO REVELA TER ALOCAÇÃO

 

No início de fevereiro, o anúncio de que a Tesla Motors havia comprado Bitcoins para sua estratégia e que o aceitaria na compra de seus veículos foi um estímulo para o Bitcoin sustentar a trajetória de forte valorização experienciada desde outubro do ano passado. Após alguns meses nos quais o multibilionário Elon Musk concentrou seus tweets sobre cripto no Dogecoin, ele voltou a postar sobre o principal criptoativo, desta vez com o efeito contrário. No dia 12, o tweet anunciou a suspensão das vendas com Bitcoin alegando preocupações com o impacto ambiental da mineração do criptoativo. Apesar de, no texto, estar explícito que a Tesla não venderia nenhum dos seus Bitcoins, a notícia causou uma forte queda no mercado. No dia seguinte, Musk amenizou com um post no qual declarava que ainda acreditava fortemente em cripto mas que a tecnologia não poderia ser um vetor de incremento do consumo de combustíveis fósseis.

 

Nos dias seguintes, outros tweets ambíguos levaram a suspeitas de que a Tesla estaria vendendo seus Bitcoins, cujo valor já foi maior que um bilhão de dólares, contribuindo para a queda dia após dia. No dia 16 foi reiterado, também através do microblog, que a Tesla não havia vendido nada.

 

No dia 21, outra postagem com viés mais positivo, na qual Elon enaltece as finanças descentralizadas e declara acreditar que redes de camada única como o Bitcoin terão capacidade de, no futuro, executar todas as transferências que o mundo demandará mas que, por agora, o Lightning seria necessário. Três dias mais tarde, Musk contou sobre conversas promissoras com mineradores dos EUA sobre uso de energia.

 

Enquanto Musk oscila em seus comentários sobre o Bitcoin, movendo o mercado de um lado para o outro, o também bilionário Ray Dalio parece ter uma visão mais clara e consolidada sobre o tema. Numa entrevista gravada no dia 6, o guru dos investimentos explicou o que pensa sobre os criptoativos e, entre outras coisas, afirmou que prefere ter Bitcoins a bonds e comentou que, de fato possui “alguns Bitcoins” e que vê os governos como grande ameaça aos criptoativos.

 

As idas e vindas de Musk e até mesmo a questão do consumo de energia na mineração não alteram substancialmente as teses de investimento em criptoativos no longo prazo. Já a adesão do gestor do maior hedge fund do mundo é, sem dúvida, uma das maiores validações imagináveis para o Bitcoin e para a classe dos criptoativos em geral.

 

CHINA: RESTRIÇÕES A CRIPTOATIVOS REITERADAS

 

A regulação dos criptoativos na China voltou a causar impactos no mercado. No dia 19, um comunicado conjunto de três entidades ligados aos setores bancário e de pagamentos reiterou as vedações já previstas desde 2017, segundo as quais os bancos e plataformas de pagamentos não podem oferecer serviços relacionados a criptoativos para seus clientes. Apesar de não trazer nenhuma novidade substancial, o comunicado causou preocupação de que eventuais dificuldades para os mineradores e as exchanges na China pudessem comprometer, respectivamente, a segurança das blockchains e a liquidez dos criptoativos.

 

Dois dias depois, um novo comunicado, dessa vez partindo de um órgão ligado ao governo chinês, foi ainda mais incisivo, indicando que o governo poderia paralisar as atividade de mineração e também teve forte impacto no preço.

 

Mais da metade de toda a mineração de Bitcoin ocorre na China. Ainda assim, o eventual desligamento desses mineradores não comprometeria a segurança da rede e, em pouco tempo, a capacidade de validação das transações seria restabelecida graças ao mecanismo que ajusta automaticamente a dificuldade da validação de transações para manter uma taxa próxima a um bloco a cada dez minutos. Além disso, o próprio comunicado sinaliza que “... o Grupo discutirá com provedores de serviço relevantes e tomará as medidas necessárias com vistas a continuarem suas atividades de mineração de criptomoeda em outro(s) país(es) ou região(ões)”.

 

Em suma, por mais que a China seja um mercado bastante dinâmico para exchanges e concentre boa parte da mineração, um eventual banimento não teria consequências graves para o ecossistema de criptoativos como um todo.

 

Tema do mês

Rebalanceamento do NCI e a entrada de novos ativos

 

O mês de maio se encerra com o anúncio do rebalanceamento do Nasdaq Crypto Index (NCI), o segundo desde que os fundos da Hashdex passaram a seguir o novo índice, em fevereiro de 2021. No rebalanceamento deste trimestre o NCI ganhará dois novos constituintes. O Uniswap (UNI) e o Filecoin (FIL) trazem ao índice a representação de dois segmentos bastante distintos - Finanças Descetratizadas e Armazenamento Descentralizado - não só entre si, mas também dos atuais constituintes, reforçando a proposta de valor da diversificação do NCI. 

O NCI foi desenvolvido conjuntamente pela Nasdaq e pela Hashdex com o objetivo principal de ser uma representação de longo prazo do mercado de ativos digitais, com uma cobertura ampla e diversificada dos diversos casos de uso da tecnologia de blockchain. Portanto, a entrada de novos ativos era uma questão de tempo, visto que a tendência é que, conforme ganhem robustez, novas criptos atendam aos rígidos critérios de elegibilidade do NCI, conforme foi dito na nossa Carta Mensal de fevereiro.

 

O Uniswap é um dos principais protocolos do setor de Finanças Descentralizadas (DeFi) e permite que qualquer pessoa troque rapidamente Ether (ETH) e qualquer ativo digital compatível (ERC-20 na rede do Ethereum) de forma totalmente descentralizada e 100% “on-chain”. É considerado uma Exchange Descentralizada, apesar de funcionar de forma muito distinta de uma exchange convencional (centralizada).

 

Em uma exchange convencional, há um livro com ofertas de compra e ofertas de venda. Os Market Makers atuam estipulando valores de compra e venda, enquanto os indivíduos, paulatinamente, agridem aquele livro, tomando os preços. Já o Uniswap funciona segundo um princípio de Automated Market Maker, em que qualquer um pode ser um provedor de liquidez, bastando depositar um par de ativos qualquer em um pool dedicado àquele par e, em troca, o depositário recebe liquidity pool shares (LP Shares). A quantidade de LP Shares recebida é proporcional ao número de tokens depositados nessa plataforma, um número proporcional à liquidez fornecida pelo depositário. O pool armazena reservas conjuntas de dois ativos e fornece liquidez para esse par, formando o preço dinamicamente com base na oferta e demanda por cada um dos ativos do pool. Para manter a rede ativa, os liquidity providers tem como incentivo o recebimento de taxas provenientes das compras e vendas que acontecem nos pools.

 

Já o Filecoin é um protocolo de Decentralized Storage, ou seja, é um sistema de armazenamento descentralizado que visa “armazenar as informações mais importantes da humanidade”. Lançado em 2020, o projeto, cujo objetivo principal é ser uma alternativa a redes centralizadas de armazenamento, como as da Amazon Web Services e Google Cloud, levantou US$205M em seu Initial Coin Offer (ICO) em 2017 e era bastante aguardado pelo mercado. O sistema permite que, ao invés de ser usado um servidor e uma capacidade de processamento ligados a uma entidade única, qualquer usuário compre e venda espaço de armazenamento em uma plataforma aberta utilizando seu token nativo, o FIL. Assim, diversos indivíduos ao redor do mundo podem se oferecer para guardar dados de terceiros,  permitindo uma redução significativa no preço de armazenamento de forma similar ao que empresas da economia compartilhada, como Uber e Airbnb.



Vale lembrar que quanto maior o problema que uma tecnologia busca resolver, maior o seu valor. Ambos os projetos evidenciam que o uso de tecnologias de registro distribuido vai além da criação de moedas digitais, permitindo que diversos outros obstáculos sejam contornados. O grande salto proporcionado pela estrutura é substituir a figura dos intermediários, gerando maior liberdade individual e, muitas vezes, reduzindo custos. A nova composição do NCI passa a vigorar no dia primeiro de junho.

 

Destaques da Hashdex

 

Hashdex levanta R$135 milhões em rodada de seu Series A

 

Estamos muito felizes em anunciar o aporte de R$135 milhões em Series A. A rodada, liderada pela Valor Capital, contou também com Softbank, Coinbase Ventures, Igah, Canary, Globo Ventures, Alexia, Fuse Capital, Endeavor Scale Up Ventures e Norte Ventures . Gostaríamos de agradecer a todos os investidores pela confiança. Esse é um capítulo muito importante para a história da Hashdex e é uma honra poder escrevê-lo ao lado de investidores líderes.

 

Stefano Sergole, Diretor de Distribuição da Hashdex, palestra no BTG CEO Conference

Nosso Sócio e Diretor de Distribuição, Stefano Sergole, palestrou no CEO Conference, evento promovido pelo BTG Pactual. O tema do painel será "Criptoativos: Você Já Tem No Seu Portfólio?" e contou com a presença de Louis-Vicent Gave, Sócio-fundador & Diretor Executivo da Gavekal e Matthew Hougan, CIO da Bitwise Inc.

 

Leia o artigo : "NFTs, autenticidade e propriedade" escrito por nosso Gestor de Portfólios

Foi publicado, dia 11/05, um artigo do nosso Gestor de Portfólios, João Marco Braga da Cunha, sobre NFTs no Valor Econômico.