02 de agosto de 2021
Carta Mensal Hashdex - Julho 2021

A Carta Mensal da Hashdex desse mês traz como principais notícias:

  • Tema do mês- Tecnologia blockchain como motriz revolucionária do sistema monetário
  • Julho: desânimo e recuperação

 

Boa leitura!

 

FUNDOS DE INVESTIMENTOS HASHDEX

 

Confira a performance dos fundos da Hashdex e seus materiais de divulgação.

 

PERFORMANCE DO NCI (USD) YTD 69,4%

 

 

PERFORMANCE DO NCI EM JULHO 16,2%

 

JULHO: DESÂNIMO E RECUPERAÇÃO

O mês de julho começou com os preços dos criptoativos oscilando relativamente pouco sobre uma leve tendência de queda. O mercado parecia um tanto quanto desanimado após as quedas de junho e, principalmente, maio, sem apresentar maiores reações nem a notícias negativas, como as novas investidas de autoridades chinesas contra mineradores de Bitcoin, nem a notícias positivas, como o anúncio de que a Square está criando uma nova empresa focada em facilitar a criação de serviços financeiros descentralizados com uso de criptoativos. 

Ao longo dos dezenove primeiros dias do mês, o NCI passou a maior parte do tempo entre 1800 e 2100 dólares, enquanto o Bitcoin variou entre os 30 mil e 35 mil dólares. Nesse período, o ativos que mais destoou entre os componentes do NCI foi o Uniswap, que chegou a subir mais de 25% nos sete primeiros dias mas devolveu esses ganhos nos sete dias seguintes. No dia 20, o NCI e o Bitcoin fecharam abaixo dos 1800 e 30 mil dólares, respectivamente. A partir daí, o mercado começou uma recuperação.

No dia 21, houve o aguardado encontro entre Elon Musk, CEO da Tesla Motors, e Jack Dorsey, CEO do Twitter e da Square, para debaterem, juntamente com Cathie Wood, CEO da Ark Invest, sobre criptoativos, especialmente o Bitcoin. Nesse dia, o NCI subiu 8,2% enquanto o seu principal constituinte subiu 7,4%.

A tendência de alta se manteve nos dias seguintes e, no dia 26, diante de rumores sobre a possibilidade de a Amazon vir a aceitar pagamentos em Bitcoin, o NCI saltou mais de 13% e levou o Bitcoin de volta à região dos 40 mil dólares. Acredita-se que o movimento tenha sido potencializado por um short squeeze, situação na qual, diante de uma subida, investidores com posições vendidas precisam comprar o ativo para zerar suas posições, causando mais pressão de subida de preço. A especulação sobre a Amazon, que teria partido de um fonte ligada à empresa, foi posteriormente desmentida, o que levou à reversão de uma pequena parte dos ganhos no dia seguinte. Os últimos dias do mês, porém, mais do que compensaram essa queda.

O mês terminou com o NCI rendendo 16,2%, com destaques para o Bitcoin (+19,1%), Uniswap (+18,0%) e Chainlink (+14,0%). O único ativo do índice que apresentou perda foi o Filecoin (-13,1%). Os fundos locais também foram beneficiados pela alta de 4,8% do dólar. O índice acumula alta de 69,4% no ano. 

 

NOTÍCIAS RELEVANTES: 

 

BINANCE E FTX REDUZEM LIMITE DE ALAVANCAGEM

 

 No final de julho, as duas maiores exchanges em  volume de contratos futuros de Bitcoin em aberto, respectivamente, Binance e FTX, anunciaram a redução dos limites máximos de alavancagem nas operações de futuros. No dia 25, o anúncio da FTX veio através de um tweet de seu CEO, Sam Bankman-Fried. No dia seguinte, foi a vez do CEO da Binance, Changpeng Zhao, usar o microblog para dar a notícia. Ambas as exchanges limitaram os limites de alavancagem a 20 vezes. Antes, a Binance permitia até 100 vezes de alavancagem, enquanto a FTX ia um pouco além, com 101 vezes.

Ignorando detalhes operacionais específicos de cada exchange, essa alavancagem funciona da seguinte forma: o investidor deposita em margem (garantia) um criptoativo e monta uma posição em derivativos equivalente a uma posição maior que o valor em margem. A mudança anunciada significa que a exposição via derivativos será de, no máximo, vinte vezes o valor depositado em margem. Além disso, existe um mecanismo conhecido como liquidação automática, que entra em ação quando o valor da perda na posição alavancada se equipara ao valor em margem, forçando a venda do ativo em margem e encerrando a posição. Assim sendo, quando um investidor entra numa operação com alavancagem de 100 vezes, basta que o mercado caia, aproximadamente, 1% para que a liquidação automática seja acionada.

Um dos principais problemas da alta alavancagem com liquidação automática é a possibilidade da criação de uma reação em cadeia que amplifica as oscilações do mercado. Isso porque, quando, por exemplo, um investidor tem Bitcoin como margem para uma operação alavancada (comprada) também em Bitcoin, uma queda pode acionar a liquidação automática, que fará a venda do Bitcoin em margem, forçando o preço para baixo, o que pode acarretar outras liquidações automáticas, retroalimentando o sistema. É simples concluir que, quanto maior o nível de alavancagem dos agentes, maior a probabilidade de um evento dessa natureza ocorrer.

Tal mecanismo já foi citado em diversas edições anteriores da Carta Mensal da Hashdex para explicar quedas abruptas no mercado de criptoativos, muito comuns nos finais de semana, por conta da baixa liquidez que aumenta o impacto das liquidações automáticas sobre os preços. Porém, no último dia 23, foi a vez do New York Times fazer uma extensa matéria dando bastante enfoque a essa questão e a como essas exchanges conseguem operar à margem dos reguladores das principais economias do mundo. Não parece coincidência, portanto, que, alguns dias depois, as duas principais exchanges citadas na matéria tenham anunciado um significativo corte nos limites de alavancagem.

Os derivativos têm um importante papel dentro dos mercados financeiros, tanto para fins de hedge quanto de alavancagem. Porém, como o próprio Sam Bankman-Fried escreveu em seu tweet, “Há limites para tudo”. A redução dos limites de alavancagem nas exchanges de derivativos de criptoativos é uma excelente notícia para o ecossistema, não apenas pelo impacto da redução da volatilidade, como também por coibir operações irresponsáveis.

 

SQUARE ESTÁ DESENVOLVENDO UM DECENTRALIZED BUSINESS USANDO BITCOIN

A empresa de pagamentos Square está lançando um negócio dedicado a “serviços financeiros descentralizados” utilizando o bitcoin. O CEO da Square e bitcoin bull Jack Dorsey disse no Twitter que a empresa está "focada na construção de uma plataforma de desenvolvedor aberta com o objetivo de facilitar a criação de serviços financeiros descentralizados ". Não está claro como essa nova plataforma vai coexistir ou competir com redes como Ethereum ou Polkadot, no entanto, dado o apoio da Square, será importante monitorar. 

 

Tema do mês

Tecnologia blockchain como motriz revolucionária do sistema monetário

 

A Hashdex foi fundada para democratizar o acesso de qualidade à nova e importante classe dos ativos digitais. Em abril último, lançamos o primeiro ETF diversificado de criptoativos no mundo, o HASH11, fornecendo, a todos os tipos de investidores, as vantagens de um produto listado em bolsa. 

Dando continuidade em nossa missão, neste mês de agosto lançaremos mais dois ETFs de criptoativos na B3. O BITH11, o primeiro ETF verde de Bitcoin do mundo (neutralizando sua pegada de carbono) e o ETHE11, o ETF de Ethereum. Ambos os ativos estão amplamente representados no Nasdaq Crypto Incex (NCI), o índice de referência do HASH11. No entanto, é claro que tanto o Bitcoin quanto o Ethereum são criptoativos que possuem um grau de maturidade significativamente maior que os demais. Já há no mundo e no Brasil investidores, desde pessoas físicas a grandes instituições, com suas próprias teses de investimento específicas para cada um desses ativos e com demanda para se posicionarem isoladamente neles.

Com isso em vista, o BITH11 e o ETHE11 chegam para complementar a aposta diversificada do HASH11, permitindo que investidores tomem posições específicas em cada um dos dois maiores criptoativos utilizando produtos com os altíssimos padrões de qualidade da Hashdex, de forma simples, segura e regulada.

Em vista do lançamento dos novos ETFs, o nosso tema deste mês discorre profundamente sobre porque e como as tecnologias blockchain despertaram uma revolução nos sistemas monetários internacionais. Esperamos que gostem.

 

 

 

Em 2011, Marc Andreessen escreveu seu famoso artigo no Wall Street Journal “Por Que o Software Está Engolindo o Mundo", argumentando que nossa sociedade estava no meio de uma "ampla e dramática mudança econômica" na qual as empresas de software estavam "prontas para assumir grandes setores da economia ". Nesse artigo, o cofundador da Netscape e do fundo de venture capital Andreessen Horowitz postulou que, seis décadas após a revolução dos computadores, a tecnologia necessária para transformar produtos e serviços por meio de software finalmente funcionava. E mais: ela poderia ser entregue em escala, com o número de usuários de internet banda larga e de proprietários de smartphones na casa dos bilhões. Diferentemente do pano de fundo da bolha de tecnologia dos anos 90, o mundo estava finalmente pronto para ser engolido por software.

 

Embora difícil de lembrar, na época, o ponto de vista de Mark Andressen era controverso. Como o próprio observou em seu editorial, em agosto de 2011, os indicadores preço / lucro das empresas listadas de tecnologia estavam em suas mínimas históricas. O valuation de empresas ainda privadas, como Facebook, Twitter, Square e muitas outras geravam considerável controvérsia. No entanto, dez anos depois, é impossível não admirar a presciência do pioneiro da Internet. Ainda assim, um tanto ironicamente para um investidor cuja firma de venture capital é atualmente a maior apoiadora do mundo cripto, aquele artigo, escrito em 2011, não foi profético o bastante para mencionar uma parte bastante importante do mundo que em breve começaria a ser engolida por software: seu sistema monetário.

O software em questão é o Bitcoin especificamente, e cripto de forma mais ampla. Para compreender plenamente como cripto está devorando o sistema monetário mundial, é essencial refletir sobre o papel fundamental que consenso desempenha no funcionamento de nossas instituições e sociedades, e também apreciar a engenhosidade de Satoshi Nakamoto.

 

Consenso Permeia Nossas Instituições

A existência de consenso entre grupos de pessoas e entidades é o que possibilita quaisquer harmonias que hoje existem em nossas sociedades. Quando grupos de pessoas acreditam nas mesmas coisas ou entendem as mesmas coisas como sendo verdadeiras, elas são capazes de se coordenar e de colaborar em grande escala. Instituições como matrimônio, mercados, leis, governos e empresas são todas exemplos de como humanos se coordenam e colaboram a partir de consenso. Nosso sistema monetário, em sua miríade de componentes, é outra dessas instituições.

 

O dinheiro, em papel ou em um livro-razão de terceiros, permite-nos fornecer com eficiência nossos serviços e produtos e receber em troca o que desejamos ou consideramos necessário. Ações de empresas, títulos de dívida, metais preciosos e outras commodities, permitem-nos investir e armazenar nossas riquezas para o futuro. Economizar para o futuro, fazer comércio, colher os frutos do nosso trabalho... Estas são necessidades básicas de todo ser humano e só conseguimos realmente suprí-las porque conseguimos, como sociedade, atingir consensos. E consensos não surgem do nada. Consensos sempre são alicerçados em nosso conhecimento compartilhado das leis naturais do universo, em tecnologias que desenvolvemos, em sistemas sociais que criamos para funcionar em equilíbrio, ou (mais comumente) numa combinação de todos esses.

Quando dois indivíduos trocam uma nota de US $100, entendendo que ela realmente vale US $100, eles só o fazem porque ambos sabem como se parece uma nota de $100 (ela é intencionalmente desenhada para ser facilmente reconhecível). Eles também o fazem porque ambos aceitam que a tecnologia do papel de algodão da nota, de seus filmes holográficos, e de suas marcas d'água, que são sensíveis à luz ultravioleta, fazem com que a nota seja difícil de ser falsificada. Finalmente, ambos acreditam que há uma única entidade no mundo capaz de produzir tais notas (o Federal Reserve), e que ela faz parte de um intricado sistema de leis e instituições governamentais, com tecnocratas que são incentivados a manter um valor previsível para suas moedas. O consenso entre o enorme grupo de indivíduos e entidades que usam notas de US $100 é o que permite o uso delas.

E apesar do entendimento comum, porém errôneo, de que as coisas sempre foram como são, as tecnologias e sistemas que permitem o consenso evoluíram continuamente ao longo da história. Nós, humanos, sempre buscamos formas mais seguras, eficientes e escaláveis ​​de chegar a um consenso, a fim de coordenar nossas ações e colaborar. Um exemplo pertinente é a evolução do próprio dinheiro.

O dinheiro é fundamentalmente uma tecnologia. O mito geralmente aceito, porém falacioso, é de que o dinheiro surgiu nas civilizações primitivas como uma alternativa ao escambo. Em realidade, a teoria predominantemente aceita por cientistas é de que na antiguidade indivíduos cediam o fruto de seus trabalhos em troca de promessas, mantendo um controle rudimentar (em suas mentes ou alguma forma de registro) de dívidas e créditos que possuíam com outros indivíduos em suas comunidades. Não é difícil de se imaginar como esses créditos e dívidas frequentemente terminavam por não serem liquidados de maneira correta entre suas partes. Entra em cena a engenhosa invenção do dinheiro. Dependendo do local e do momento da história, ele tomava diferentes formas: pedras, contas, conchas, sal … Independentemente da forma que tomava, em todas as civilizações o dinheiro buscava cumprir o mesmo papel: manter um registro objetivo das dívidas e créditos existentes entre os indivíduos daquela comunidade.

O ouro, tão valioso até hoje, emergiu há cerca de 5 mil anos como a primeira forma universal de registrar dívidas e créditos, à medida que diferentes civilizações primitivas começaram a se integrar e a fazer comércio. Mais importantemente, tais civilizações aprenderam que o ouro era universalmente escasso, uma propriedade essencial de um ativo monetário. Além disso possuía também outras propriedades que o tornavam um ótimo facilitador de consenso e que permitiam seu uso. Devido às suas propriedades físicas e químicas, o ouro é extremamente durável. Sua maleabilidade permite que seja muito bem divisível. Ademais, apesar de pesado, o ouro é razoavelmente transportável e o desenvolvimento tecnológico atingido em seus processos de exploração e purificação permitiu que fosse muito bem reconhecível e fungível. Não é à toa que o ouro persiste como um ativo monetário há milhares de anos. No entanto, mesmo com o ouro em mãos, a humanidade não desistiu do progresso tecnológico do dinheiro.

O papel-moeda utilizado atualmente foi outra etapa do progresso tecnológico do dinheiro. Ele tem suas origens na China do século 7, como um substituto para as pesadas moedas de cobre. Séculos adiante, nos Estados Unidos o dinheiro em papel era originalmente emitido por bancos comerciais nos anos 1800, os quais eram legalmente obrigados a trocá-las por moedas de ouro ou prata. Normalmente, o uso eficiente (i.e.à valor de face) de notas de banco privados era limitado aos mercados locais atendidos pelos emissores. Com o tempo, as notas nacionais substituíram as notas privadas. O dinheiro emitido pelo banco central permitiu um controle mais eficaz contra a falsificação (maior segurança), a produção e a verificação mais baratas (maior eficiência) e um uso muito mais amplo (maior escala). O progresso tecnológico do papel-moeda é um dentre inúmeros exemplos de tecnologias e sistemas evoluindo para aprimorar o sistema monetário mundial.

 

A distinção entre o dinheiro como uma alternativa ao escambo e o dinheiro como uma alternativa a registros frágeis e não confiáveis de dívidas e créditos é importantíssima, pois ajuda a caracterizá-lo de uma outra forma. Ao invés de um objeto de valor por si só, fica óbvio e imediato entender o dinheiro como informação. Ele funciona como um registro das dívidas e créditos que possuímos com a nossa sociedade. Indo mais além, o registro de informação que o dinheiro representa é informação entendida como verdadeira pelos múltiplos agentes de uma sociedade (consenso) e por isso é útil. Dinheiro em moedas e notas é informação armazenada de forma descentralizada e distribuída, o que contribui enormemente para sua utilização em escala. Ativos que cumprem algum papel monetário evoluíram enormemente desde a invenção do dinheiro há cerca de 25 mil anos. A próxima etapa dessa evolução está em curso, com o consenso tornado possível por software.

 

O Consenso de Nakamoto

Para a grande maioria de nós, parece que o Bitcoin surgiu misteriosamente do nada. Essa percepção equivocada a respeito de grandes progressos tecnológicos é comum. A computação pessoal nos anos 70 e a Internet na década de 90 também pareciam ter sido criadas naquele momento, quando, na verdade, o oposto era verdadeiro. Como todos os avanços tecnológicos, o Bitcoin foi o resultado de décadas de intensa pesquisa e desenvolvimento, realizados principalmente por pesquisadores anônimos. O Bitcoin é um avanço na ciência da computação que se apóia em mais de 40 anos de pesquisa em criptografia e moedas criptográficas.

Ao inventar o Bitcoin, seu misterioso criador, Satoshi Nakamoto, encontrou uma solução prática para um problema que havia assolado cientistas da computação por décadas. Até a invenção de Satoshi, por mais que uma rede aberta de computadores fosse dominada por bons atores, era impossível que seus participantes alcançassem um consenso sobre seu estado através de algum sistema de influência (e.g. um sistema de votação). As redes abertas são vulneráveis ​​ao que os cientistas da computação chamam de Sybil Attack. Basicamente isso significa que, em tais redes, maus atores podem distorcer seu verdadeiro estado criando uma quantidade arbitrariamente grande de participantes falsos, os quais conseguem subverter o estado da rede ao ganharem uma influência desproporcional na sua definição. A beleza da inovação de Satoshi foi exigir o comprometimento de recursos externos para poder efetivamente influenciar na definição do estado da rede. Ao trazer o conceito de Proof of Work para o Bitcoin, Satoshi o tornou resistente a ataques Sybil, desde que mais da metade dos participantes fosse honesta. O feito de Satoshi Nakamoto foi marcante. Seu algoritmo de consenso, baseado em Proof of Work, é agora conhecido dentre os cientistas de computação como Consenso de Nakamoto. 

O entendimento das engrenagens do Bitcoin é longe de ser trivial. No entanto, para apreciá-lo basta entender que, assim como é dificílimo produzir cédulas de US $100 ou barras de ouro, é muito difícil produzir um registro válido de transações em uma blockchain. A criação de um blockchain válido, ou seja, que todos os participantes honestos da rede considerem verdadeiro, requer o comprometimento de recursos externos caros. E por ser difícil, participantes honestos podem usar a rede para chegar a um consenso, mesmo que não se conheçam e que não confiem uns nos outros.

As repercussões do Consenso de Nakamoto serão extraordinárias. Sim, o objetivo de Satoshi Nakamoto era criar um sistema de dinheiro eletrônico sem intermediários. Para tanto, Satoshi nos deu um meio de chegar a um consenso por maneiras que não dependem das leis naturais do universo ou do estabelecimento de intermediários centralizados, os quais frequentemente são ineficientes e tendem a ser suscetíveis à captura. Agora, é possível chegar a um consenso apenas por meio de software, com todos os benefícios que sabemos que o software oferece: abundância (custo marginal zero) e flexibilidade quase infinita.

 

O Poder da Programabilidade

A evolução da Internet é o mais recente (e provavelmente melhor) exemplo de como a programabilidade de uma plataforma, aliada à criatividade humana, pode gerar um valor imensurável em nossa sociedade. A Web 1.0 era relativamente limitada. A tecnologia da distribuição de hypertext permitiu a criação e a entrega de conteúdo com referências e navegação (hyperlinks) pela internet. A Web 1.0 deu largada à democratização da produção de conteúdo online e derrubou as barreiras geográficas que bloqueavam sua distribuição rápida. No entanto, ela não atingiu escala além dos inovadores e early-adopters de tecnologia.

A Web 2.0 é a Internet programável e esta sim trouxe para a rede mundial as funcionalidades que a tornaria realmente útil para todos. A fase 2.0 da Internet começou no início dos anos 2000, quando as empresas dominantes à época (Netscape e Microsoft) convergiram na utilização do JavaScript como linguagem de programação que funcionaria dentro dos navegadores. Com o Javascript, as páginas estáticas da Web 1.0 ganharam um caráter mais dinâmico após serem carregadas nos navegadores. Quando desenvolvedores passaram a poder efetivamente programar páginas web, a funcionalidade e qualidade do conteúdo da internet mudaram em ordens de magnitude.

Provedores de conteúdo passaram a poder monetizar sua produção através de assinaturas ou anúncios. Sistemas de reputação online possibilitaram a curadoria de conteúdo e a criação de marketplaces. Plataformas de e-commerce puderam aprimorar em muito suas experiências de usuários e a usar dados para criar e capturar mais valor em suas cadeias. A Web 2.0 possibilitou que a nuvem surgisse como uma plataforma de aplicações ricas, provendo a indivíduos e empresas funcionalidades de comunicação e colaboração completamente novas, assim como novos modelos de entrega e monetização de software (SaaS). Em suma, a programabilidade de Web 2.0 foi o que realmente permitiu a transformação que a Internet trouxe para a economia e certamente foi um dos principais catalisadores para o movimento do "Software Engolindo o Mundo" no qual Mark Andreessen apostou pesadamente em 2011.

Por serem software, o Bitcoin e outras criptos trarão ao sistema monetário progressos análogos ao que temos testemunhado na Internet ao longo dos últimos 20. Quais outras funcionalidades poderiam ter o dinheiro e as reservas de valor se fossem programáveis? A resposta verdadeira a essa pergunta virá com o tempo, mas já temos alguns sinais da revolução.

Uma das respostas está no desenho das próprias criptomoedas. Ao contrário do Ouro e do papel-moeda, ativos monetários cujas funcionalidades são limitadas pelas suas características físicas, o Bitcoin é um software e pode ser desenhado como a sua comunidade entende ser melhor. Por exemplo, o ouro possui oferta finita. No entanto, a oferta do metal precioso, possui um bom grau de incerteza. Ela é, fundamentalmente, afetada pela demanda pelo ativo, à medida que movimentos de preços têm a óbvia consequência de aumentar ou diminuir os recursos empregados em extrair a commodity, afetando sua oferta.

O Bitcoin, por sua vez, como um bom pedaço de software, pôde ser desenvolvido exatamente como seus criadores o planejaram, com um limite intransponível de 21 milhões de bitcoins. Além disso, com o engenhoso mecanismo de ajuste de dificuldade concebido por Satoshi Nakamoto, sabemos que, qualquer que seja o preço da criptomoeda, sua oferta é perfeitamente previsível em qualquer momento do tempo.

 

Por Que Software Está Engolindo o Sistema Monetário

Com o benefício de podermos olhar para trás, é bastante óbvio hoje em dia que a tão importante parte do mundo que governa como transacionamos os frutos de nossos trabalhos e como economizamos para o futuro, seria também transformada pela revolução do software. Independente de o futuro dos sistemas monetários seguirem, ou não, o Bitcoin tal como existe hoje em dia, nossa visão é de que a invenção do engenhoso Consenso de Nakamoto ficará marcado na história como a quebra de paradigma que precipitou um movimento tectônico em nossa sociedade. 

 

Mark Andreessen concluiu seu marcante editorial de 2011 afirmando, categoricamente, que a mudança "ampla e dramática" que ele enxergara naquele momento era uma grande oportunidade para investidores. Em suas palavras, ele sabia "onde estava colocando seu dinheiro". Nossa visão na Hashdex é distinta, porém alinhada com a posição de Mark à época. A mudança que os criptoativos causarão no sistema monetário internacional, apesar de incerta, é uma grande oportunidade. Respeitados todos os importantes preceitos de investimentos sadios, todos os investidores deveriam saber onde colocar uma parcela de seu patrimônio.

 

DESTAQUES DA HASHDEX

ETHE11, ETF de Ethereum da Hashdex, é aprovado na CVM

A Hashdex recebeu, o dia 14/07, a aprovação para o lançamento do primeiro ETF de Ethereum da B3, o ETHE11. O produto é uma nova forma de dar exposição a um ativo vinculado a uma grande revolução tecnológica e que tem tudo para ser a base  para a construção de protocolos de DeFi, smart contracts.

 

Hashdex lança BITH11, primeiro ETF verde de bitcoin da B3

A Hashdex lançou o primeiro ETF sustentável de Bitcoin da B3, o BITH11. O crescimento da adoção do bitcoin trouxe, também, a pauta sobre o gasto energético necessário para a mineração da cripto. Apesar de estudos evidenciarem que mais de 85% da energia do bitcoin é limpa, acreditamos que o bitcoin possa contribuir muito para incentivar o uso de energia limpa ao redor do mundo. Em uma tentativa de antecipar esse movimento, optamos pela criação de um produto verde.

A iniciativa conta com o apoio de outra empresa, a alemã Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI), provedora de uma metodologia globalmente reconhecida para cálculo de emissão de carbono em redes blockchain.

 

Hashdex Daily!

Em virtude do recebimento de pedidos de alguns investidores, criamos o “Hashdex Daily!”. O “hashdex Daily!” é um report diário com as principais notícias do mercado de criptoativos e seus possíveis impactos no preço dos ativos.